A Médica

Quem é a pessoa antes do cargo

A trajetória, o que a levou da medicina à política e o que ela tem ouvido no interior do Amazonas.

Fernanda Aryel Rodrigues de Almeida é médica, manauara e mãe da Helena Rosa. É por essas três palavras que ela costuma se apresentar, e não é ordem por acaso: foi a medicina que a levou à política, e não o contrário.

Foi no consultório e no atendimento que ela encontrou o argumento que hoje leva para o debate público: uma pessoa não adoece só por causa do corpo. Adoece porque a estrada até o posto é intransitável, porque não há médico no município, porque a gestante precisa viajar horas para dar à luz. Diagnóstico, para ela, é uma palavra que serve tanto para o paciente quanto para o lugar onde ele vive.

A trajetória política começou cedo. Em dezembro de 2020, aos 26 anos e ainda estudante de medicina, assumiu uma função de direção nacional no Avante.

Nos últimos meses percorreu o interior do Amazonas por terra e por rio: Lábrea, Humaitá, Apuí e Manicoré, subindo as BR-319 e BR-230. Não foram visitas de passagem. Do que ouviu nessas viagens nasceu a proposta que hoje defende com mais insistência: maternidades em municípios-polo, para que mulheres grávidas parem de disputar leito em hospital de emergência com casos graves.

A pauta das mulheres ganhou corpo aí. “Nós trabalhamos na rua e dentro de casa. Cuidamos dos filhos, da família e dos afazeres”, diz. E completa com o dado que a incomoda: “Somos maioria da população, mas ainda somos minoria na política.”

Ser mãe de uma criança pequena, num país onde a maternidade ainda é tratada como assunto privado, mudou a forma como ela lê políticas públicas. Creche, licença, atendimento pré-natal e transporte escolar deixaram de ser tópicos de plano de governo e viraram rotina.

Hoje é pré-candidata a deputada federal pelo Avante no Amazonas. Sobre o que espera de um mandato, é direta: “Não vejo mandato como status; eu vejo como responsabilidade.”

Retrato de Aryel Almeida de chapéu de palha e blusa marrom, sorrindo, com fundo verde desfocado
Aryel Almeida inclinada à frente, ouvindo com atenção uma das mulheres em reunião no Matupi
Aryel Almeida sorrindo de braços abertos diante de uma cachoeira em Presidente Figueiredo

Nas palavras dela

“A política só faz sentido quando serve para mudar a vida das pessoas, principalmente daquelas que mais precisam.”

ao Chumbo Grosso

“Nós trabalhamos na rua e dentro de casa. Cuidamos dos filhos, da família e dos afazeres.”

ao Valor Amazônico

“Essa conquista não é minha. Ela é nossa, é de todos nós.”

em dezembro de 2020

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